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Rubrica 'Ao Serviço da Nazaré'
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Rubrica "Ao Serviço da Nazaré"
Emídio Soeiro da Silva
Emídio, uma vida ao serviço do Município da Nazaré

A família é o eixo central da vida de Emídio. Natural de Valado dos Frades, onde viveu durante muitos anos, reside atualmente em Chiqueda e é junto dos seus que encontra o maior sentido para tudo o que faz. Casado, pai de dois filhos e avô de três netos, fala deles com um brilho especial no olhar, sem esconder o orgulho e a ternura que sente. “Os meus três netinhos são a melhor coisa que tenho. Quem me tira tempo com os meus netos tira-me tudo”, salienta.
O filho de Emídio é major da GNR, atualmente a trabalhar no Dubai, e a filha trabalha como agente imobiliária, a residir perto de si. Os netos passam muito tempo em sua casa, momentos que o avô valoriza profundamente. Acredita que a liberdade que encontram naquele espaço, com balizas de futebol, piscina e animais, faz com que gostem especialmente de lá estar, vivendo a infância de forma simples, feliz e despreocupada.
Antes de ingressar no Município da Nazaré, trabalhou na construção civil, conciliando esse trabalho com a escola. Saía das aulas para ir trabalhar, numa época em que as condições eram particularmente exigentes e o esforço começava desde muito cedo. “Recebia à quinzena naquela altura e o lixo era apanhado numa espécie de comboio com baldes. Não havia contentores. Nunca tínhamos folga no dia de Natal nem na passagem de ano”, recorda.
Foi no município que iniciou o seu percurso profissional na área da limpeza urbana, começando por varrer ruas. Ao longo dos anos, foi adquirindo conhecimento, responsabilidade e liderança, sempre com grande sentido de missão. “Gosto muito do que faço. Vim para aqui a varrer ruas. As pessoas que passaram por aqui ensinaram-me muito.”
Aos 64 anos, Emídio é o funcionário mais antigo do Município da Nazaré. Ao longo da sua carreira trabalhou com sete presidentes de câmara diferentes e viveu períodos particularmente exigentes. Em tempos, chegou a ser responsável por todas as áreas de limpeza do concelho (desde casas de banho, piscinas municipais, pavilhões e parques de estacionamento, entre outros espaços), tendo já coordenado mais de 80 funcionários. Atualmente, tem cerca de 30 trabalhadores sob a sua responsabilidade.
Apesar das funções de chefia, nunca deixou de estar no terreno. Em épocas de maior exigência, como o Carnaval ou a passagem de ano, não hesita em pegar numa vassoura e apoiar as equipas. “Antigamente era sempre para o meu número que ligavam para resolver problemas. Fosse GNR, Polícia Marítima ou funcionários. Até durante a madrugada”, explica.
O seu dia começa cedo. Acorda diariamente às 5h00 da manhã, mesmo nos dias de folga. Às 6h00, já está a distribuir tarefas às equipas. Ao longo do dia passa pelas oficinas da Pederneira, por Valado dos Frades, Famalicão e Sítio da Nazaré, acompanhando os serviços e garantindo que tudo corre normalmente. Atualmente, a gestão do trabalho é apoiada por meios digitais, com distribuição de serviços através de tablets, permitindo responder de forma eficaz a recolhas pontuais e necessidades imprevistas.
Fora do trabalho, mantém-se ativo. Gosta de bricolage e não hesita em assumir tarefas de carpinteiro, eletricista, pedreiro ou jardineiro. Na casa onde vive, com jardim, piscina e animais, não lhe falta ocupação nos tempos livres.
Pondera reformar-se ainda este ano, consciente de que tem os anos de descontos necessários e satisfeito por sentir que já transmitiu o seu conhecimento às gerações mais novas. Para o futuro do setor, defende uma maior articulação interna, sugerindo reuniões mensais com as chefias e quinzenais com os encarregados.
Apesar de todo o percurso, lamenta a falta de reconhecimento social do trabalho desempenhado pelos funcionários públicos, em especial na área da limpeza urbana. Recorda tempos em que, enquanto varria ruas, algumas pessoas atiravam lixo das varandas para o chão, mesmo à sua frente.
Ainda assim, mantém intactos os valores que sempre o guiaram:
“Tudo o que fiz foi sempre com vontade, com brio profissional, e estou cá para colaborar com toda a gente, porque esse sempre foi o meu lema.”
É com o Emídio Silva que iniciamos a rubrica "Ao serviço da Nazaré".
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Rubrica "Ao Serviço da Nazaré"
Helena Pinho
Helena Pinho, a serenidade por detrás do atendimento do Município

Pouco tempo depois, concorreu ao concurso da Câmara, e ficou. O que começou como uma oportunidade transformou-se numa vida inteira ao serviço do Município da Nazaré.
No início da sua carreira, integrou um gabinete onde assegurava o atendimento telefónico e o tratamento de fax. Eram outros tempos e outras ferramentas. “Na altura os telefones eram de cavilhas. Era uma central telefónica com esses equipamentos muito antigos”, recorda.
Desde as centrais manuais até aos sistemas digitais atuais, Helena acompanhou toda a evolução tecnológica e organizacional dos serviços municipais. No mandato do Presidente Walter Chicharro transitou para o posto onde se encontra hoje, assumindo funções no atendimento telefónico e presencial ao público que se dirige ao Município.
É precisamente aí, na linha da frente do contacto com os munícipes, que desempenha uma das funções mais exigentes do serviço público.
Diariamente chegam dúvidas, pedidos de informação, preocupações e situações que exigem não apenas conhecimento dos procedimentos, mas também equilíbrio emocional e capacidade de gestão. A experiência ensinou-lhe que cada atendimento é único. Cada pessoa traz consigo a sua própria realidade, o seu estado de espírito e as suas expectativas. “É
preciso ter capacidade para lidar com certas situações. Mas o dia a dia aqui é tranquilo, normal.”, reforça Helena.Quem ocupa temporariamente o seu lugar percebe rapidamente a responsabilidade da função. Nem sempre o trabalho é visível para quem está do outro lado do balcão, mas é determinante para garantir um serviço eficaz, organizado e humano. “Algumas pessoas reconhecem este trabalho. Reconhece principalmente quem passa por aqui, quem me vem
substituir nas horas de almoço e nas férias.”A ligação de Helena à Nazaré é também uma ligação de raízes profundas. O avô e o pai foram faroleiros, uma herança familiar intimamente ligada ao mar e à identidade da terra. Cresceu com essa presença constante do oceano como pano de fundo, símbolo de orientação, vigilância e serviço à comunidade. A família chegou a viver no Forte de São Miguel Arcanjo,
hoje conhecido mundialmente como anfiteatro das ondas gigantes da Praia do Norte, mas desse tempo sobram poucas recordações, uma vez que Helena era muito pequena.Talvez por isso a praia continue a ser o seu refúgio. Fora do trabalho, é junto ao mar que encontra tranquilidade e equilíbrio. O mar faz parte da sua vida e da sua identidade. É junto à água que relaxa, que respira fundo e recupera a tranquilidade depois de dias exigentes.Ao longo destes quase 44 anos, Helena construiu um conhecimento profundo do funcionamento interno do Município e das necessidades dos munícipes. E nunca quis mudar de função. Gosta muito do que faz. Mais do que desempenhar uma função, assume um compromisso: atender com respeito, profissionalismo e sentido de missão.
Tal como os faróis que marcaram a história da sua família, também o seu trabalho é feito de presença constante, discrição e orientação. Um serviço que pode nem sempre ser reconhecido por todos, mas que é essencial para manter acesa a confiança entre o Município da Nazaré e a sua comunidade.